Pesquisa de Conjuntura Econômica do Setor de Alimentação Fora do Lar

 

 

Introdução

Um conjunto amplo de indicadores aponta pela primeira vez que a mais grave crise do setor está sendo deixada para trás. A surpreendente melhora na rentabilidade das empresas promoveu impactantes melhorias em cinco dos principais indicadores acompanhados pela pesquisa.

Após sete trimestres de aumentos constantes no número de empresas que informaram operar com prejuízo, este indicador, que atingiu o pico de 39%, teve queda intensa e agora é de 33%. Embora este índice ainda esteja muito elevado, a forte queda, associada aos outros bons indicadores, leva a Abrasel a prever que o setor fechará 2017 com um número de empresas em dificuldade semelhante ao número médio do primeiro trimestre de 2015, quando a crise começou a mostrar as suas garras para os bares e restaurantes.

Como identificado na rodada anterior da pesquisa, a rentabilidade das empresas continua a melhorar para todas as faixas de rentabilidade positiva, chamando a atenção a progressão na faixa das empresas que têm rentabilidade maior que 10% (percentual referência de uma boa operação em tempos normais), que cresceu de 14% para 17%.

O maior motivo para se comemorar é a confirmação, por dois trimestres consecutivos, de que o número de empresas em situação de se desfazer do negócio nos próximos 12 meses cai intensamente. Após atingir o pico no primeiro trimestre de 2016 com 19% (uma em cada cinco), este indicador teve forte queda no 3º trimestre de 2016 (15%) e despencou no último trimestre do ano (10%), chegando ao menor índice da série histórica, iniciada no 4º trimestre de 2015 (16%).

O otimismo do empresariado também trouxe duas novidades. A primeira é que preveem voltar a contratar e estimam um forte crescimento real do faturamento (3,43%), acima da previsão anterior da Abrasel que era de 1,5% para 2017.

Estas boas novas estimularam que a Abrasel revisasse sua previsão para o faturamento do setor em 2017, que passa a apontar um crescimento real de 2%.

Faturamento

Conforme previsões, o ano de 2016 encerrou-se com uma queda de faturamento real da ordem de 3,93%, com todas as regiões apontando queda. Vale destacar que a suavização da queda do faturamento se confirmou, como a pesquisa vinha apontando a cada trimestre e também no comparativo anual de 2016 em relação à 2015 (4,33%).

O ajuste do setor pela redução do lado da oferta – fechamento de estabelecimentos – foi longo, mesmo com um elevado número de empresas operando com prejuízo por longos períodos e as conhecidas limitações do setor com relação à capital e crédito nos momentos de contração da economia. Milhares de empresas fecharam nestes dois anos de crise intensa, mas a entrada de novos e inexperientes operadores – normalmente pessoas que perderam seus empregos – retardou o ajuste da oferta e ainda ajudou a pressionar para baixo os preços. Na avaliação da Abrasel, este ciclo de absorção de estabelecimentos por pessoas que perderam emprego está encerrado e a oferta está se equilibrando com a demanda, ambas menores, abrindo espaço para crescimento do faturamento das empresas que sobreviveram a 2016.

 

Rentabilidade

Os resultados anuais confirmam que a pressão de consumidores com objetivo de conter gastos impediu que o setor repassasse na totalidade seus custos crescentes para os preços do cardápio.

Outra consequência – e uma boa notícia para os consumidores – é que, pelo segundo ano consecutivo, comer fora de casa ficou mais barato que comer dentro de casa. Em 2015, enquanto a inflação da alimentação dentro do lar era de 12,92%, a inflação do setor ficou em 10,38% (IPCA). Já em 2016, a inflação da alimentação dentro do lar ficou em 9,36% contra 7,22% do setor de alimentação fora do lar (IPCA).

Com preços menores e com um equilíbrio melhor entre oferta e demanda, o setor começa a atrair mais consumidores e isto refletiu na melhoria em todas as faixas de rentabilidade positiva, chamando a atenção a progressão na faixa das empresas que têm rentabilidade maior que 10% (percentual referência de uma boa operação em tempos normais), que cresceu de 14% para 17%.

 

 

Quadro de pessoal

Como vinha sendo indicado nas outras edições da pesquisa, o setor encerrou o ano com redução no quadro de pessoal, fruto de um esforço por produzir mais com menos, promovendo ganhos de produtividade. Este esforço foi recompensado, como mencionado acima, com uma melhoria da competitividade do setor, quando comparada com alimentação dentro do lar, e a consequente melhoria da atratividade junto ao consumidor.

 

Reclamações trabalhistas

Quatro em cada 10 empresas tiveram pelo menos uma reclamação trabalhista ao longo de 2016, número que permanece estável e demonstra o quanto os problemas com a Justiça do Trabalho afetam o setor.

A boa notícia vem da recém-sancionada regulamentação da gorjeta, em março de 2017, que a médio prazo deve diminuir as demandas na Justiça do Trabalho, visto que a falta de regras sobre o tema, que há décadas atormentava o setor, era uma das principais fontes de problemas entre patrões e empregados.

 

Continuidade de negócios

A melhor notícia da pesquisa é a confirmação de que o número de empresas em situação de fechar as portas ou se desfazer do negócio nos próximos 12 meses despencou, por dois trimestres consecutivos. Enquanto no primeiro trimestre de 2016, 19% dos respondentes, ou seja, um em cada cinco empresários, previa ter que fechar as portas, no 3º trimestre do ano passado, este índice atingiu 15%, chegando a 10% no último trimestre do ano. Foi o menor índice da série histórica, iniciada no 4º trimestre de 2015.

 

 

Previsões

 

Faturamento

Com expectativas melhores quanto a economia em 2017, nove em cada dez empresários acredita em estabilidade ou melhora de faturamento, e estimam um crescimento real de 3,43% quando comparado a 2016.

Este otimismo dos empresários e a melhora em outros importantes indicadores – como na rentabilidade das empresas, previsão de contratação em 2017, redução do número de empresas operando no prejuízo – levaram a Abrasel a revisar sua previsão de crescimento real do setor para o ano, que na edição passada da pesquisa era de 1,5% e agora passa a ser de 2% – uma posição um pouco mais conservadora do que o grupo que participou da pesquisa.

 

 

Quadro de Pessoal

Uma boa notícia para as empresas, os trabalhadores e para o país: o setor sinaliza que voltará a contratar em 2017. Depois de uma série de ajustes no quadro de pessoal em busca do aumento de produtividade que levou a uma redução importante da mão de obra empregada, a previsão é que este ano haja um aumento de 0,50% no quadro de pessoal das empresas do setor.

 

 

Ambiente de Negócios para o Setor

A melhora do conjunto dos principais indicadores do setor – rentabilidade das empresas, previsão de contratação em 2017, redução do número de empresas operando no prejuízo – aponta para uma consistente direção de recuperação da economia e a esperada retomada do crescimento do setor. Mais da metade dos empresários já acredita que 2017 será melhor do que 2016, o que representa uma mudança de humor significativa quando comparada às previsões feitas no mesmo período do ano anterior: apenas 10% dos empresários acreditava que 2016 seria melhor do que 2015.